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Homem descobre que é dado como morto e tem até certidão de óbito

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José Luiz Freitas perdeu o documento em 2011. Morador de rua que morreu em hospital foi reconhecido por engano

Perder o documento de identidade num bloco de carnaval pode até ser comum. O técnico em contabilidade José Luiz Freitas não imaginava, no entanto, a dor de cabeça que isso lhe traria anos mais tarde. Ele consta como morto e tem até certidão de óbito. O documento de José Luiz, de 52 anos, foi encontrado por um mendigo que deu entrada no Hospital Rocha Faria em 2011 e morreu no local, conforme antecipou o colunista Ancelmo Gois, nesta quarta-feira. O verdadeiro falecido foi enterrado ao ser reconhecido, por engano, através do documento de José, que hoje enfrenta dificuldades para reverter a situação.

Desde que descobriu o problema, há seis anos, quando foi regularizar sua situação eleitoral, José conta com a ajuda de amigos para sobreviver. Ele não consegue trabalhar com carteira assinada nem contribuir para a aposentadoria pelo INSS.

— Em 2013, eu até consegui trabalhar com carteira assinada, mas foi na empresa de uma amiga que sabe da minha história e me ajudou — disse ele, ressaltando que sempre foi um homem trabalhador e já chegou a ir para o Chile a trabalho.

— Já trabalhei em vários bancos e numa multinacional no Chile. Na época, entre os anos de 1996 e 2007, meu salário chegou a R$ 4 mil. Hoje, trabalho como auxiliar de um amigo que é maquiador. É inacreditável algo desse tipo acontecer com uma pessoa que sempre trabalhou na vida. Eu nunca me imaginei numa situação dessa.

CONSTRANGIMENTOS

Até o início de fevereiro, José Luiz usava o carro de uma amiga para trabalhar como motorista de Uber, mas após dois meses de trabalho foi assaltado e desistiu da função. Atualmente, ele está abrigado na casa de um amigo em Niterói porque não tem dinheiro para se manter numa casa sozinho.

— Eu tenho uma casa própria, que era da minha falecida mãe. Mas não tenho condições de pagar as despesas nem o condomínio. O síndico, por exemplo, está sempre me cobrando. Acha que eu estou inadimplente porque eu quero. Sem contar outros constrangimentos que já passei por aí. Até de defunto já me chamaram.

A esperança do técnico em contabilidade é que seu advogado consiga, por meios jurídicos, cancelar a certidão de óbito que foi emitido em um cartório de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio.

— A causa não é impossível, pelo contrário, é de uma simplicidade extrema. O problema é esbarrar na burocracia. Já solicitei o cancelamento ao cartório, mas ainda aguardo parecer favorável do Ministério Público e depois o julgamento — explicou o advogado João Tancredo.

 

oglobo

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