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Motoristas da Uber em Maceió relatam más condições de trabalho e insegurança

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Motoristas falam de situações de perigo e longas jornadas de trabalho; procurador define a relação como superexploração. Empresa se defende dizendo que dá todo suporte a parceiros.

Uber começou a operar em Maceió em outubro de 2016, e dividiu opiniões sobre o transporte particular de passageiros por meio de aplicativo para smartphones. Agora, são os motoristas conveniados a empresa que reclamam do serviço.

A reportagem conversou com alguns deles e ouviu relatos de falta de segurança e más condições de trabalho. Com medo de punições, eles pediram para não serem identificados na reportagem.

“As pessoas se enganam pensando que porque o aplicativo pega os dados do cliente, é seguro [para o motorista]. Tem muita gente que, querendo ajudar os outros, usa o aplicativo para pedir um carro para outras pessoas”, explica uma motorista.

Ela relembra uma situação em que atendeu a um chamado, mas não era o cliente cadastro na solicitação que estava esperando o carro quando ela chegou ao local indicado.

“Já fui buscar um cliente que o nome que aparecia era de mulher e quando cheguei no local, o passageiro era um homem. Quando perguntei, ele me disse que tinha pedido para uma desconhecida na rua pedir o carro para ele, porque o celular dele tinha descarregado. Fiquei com muito medo e ainda mais exposta do que o normal, porque caso acontecesse alguma coisa comigo, a empresa não teria nenhum dado sobre essa pessoa”, lembra.

“O problema é que nem todo mundo conhece bem Maceió e existem lugares que são perigosos e que se você não for do bairro, não pode entrar. Teve um colega que teve o carro baleado quando passou por um lugar desse tipo em Bebedouro. A gente vai se guiando pelo GPS, mas ele não mostra essas peculiaridades”, expõe o motorista.

Procurada pela reportagem, a Uber afirma que, para fazer cadastro, os usuários precisam fornecer dados como o número do cartão de crédito e o CPF. A empresa diz também que lançou uma ferramenta de verificação de identidade para os usuários que pagam as viagens com dinheiro, para que também forneçam o CPF. Tudo isso para identificar quem usa o serviço.

Além disso, a Uber garante que no aplicativo não existem viagens anônimas, todas são rastreadas por GPS, e que os motoristas têm à disposição um telefone 0800 para casos de emergência.

A avaliação feita por motoristas e passageiros após as viagens também é citada como método de segurança. A empresa diz que colabora com a polícia quando há necessidade.

Jornada exaustiva
Os motoristas também reclamam das longas jornadas de trabalho. “Eu não tenho mais fim de semana, nem feriado. Tem a vantagem que eu faço o meu horário de trabalho, mas isso não é tão bom assim. A gente tem que rodar muito para poder tirar um dinheiro razoável. Às vezes eu saio de casa de manhã e só volto de madrugada”, denuncia outra motorista.

O procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT-AL), Rodrigo Alencar, explica que a Uber não reconhece os motoristas como empregados, mas sim como trabalhadores autônomos. Ele comentou a decisão da Justiça do Trabalho de Minas Gerais, que reconheceu o vínculo empregatício de um motorista e a Uber.

“Mesmo com essa decisão, ainda é algo que está se iniciando. A Uber quer ficar só com a parte boa, sem garantir os direitos do trabalhador existentes que uma relação de emprego dá, como auxílio-doença, férias, horas extras e adicional noturno, por exemplo”, explica.

Para o procurador do trabalho, a relação da empresa com os motoristas é de superexploração. “Ela só consegue espaço por causa do cenário atual de desemprego que o país enfrenta. Em um primeiro momento, como o motorista está precisando de dinheiro para agora, ele se submete a essas condições. Mas a longo prazo, avaliando a depreciação do valor do carro e os gastos com oficina e manutenção, não vale a pena”, ressalta.

Sobre isso, a Uber se defende dizendo que os motoristas parceiros usam a plataforma de acordo com seu interesse e disponibilidade, sendo que não existem taxas extras, diárias ou compromisso com horas trabalhadas.

A empresa continua dizendo que os motoristas podem, inclusive, ficar meses sem logar-se na plataforma ou então conectar-se todos os dias, e que 50% dos parceiros em todo o país dirigem menos de 10 horas por semana.

gazetaweb

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