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Davi da Silva sumiu há 4 anos- e policiais militares estão soltos

Davi da Silva sumiu há 4 anos- e policiais militares estão soltos
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Enquanto juristas se esforçam em provar que no Direito brasileiro os processos, tramitando na Justiça, “não tem cor nem lado”, o mundo real prova que existem diferenças sócio-econômicas nas varas, instâncias e togas brasileiras, onde membros da magistratura chegam a ganhar 39 salários mínimos.

Em 25 de agosto de 2014, o jovem Davi da Silva sumiu. Consta na denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual que os policiais militares Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade abordaram Davi e Raniel Victor Oliveira da Silva, durante revista policial no conjunto Cidade Sorriso. E sumiram com Davi.

Raniel foi assassinado em 24 de novembro de 2016;

A PM arquivou sindicância aberta contra os militares em junho deste ano;

Em julho,  Victor Rafael Martins da Silva- um dos PMs acusados no crime- foi promovido “´por ato de bravura” a cabo.

9 jovens- como Davi- estão desaparecidos. Todos pelas mãos de policiais.

Quem fez? Por que fez?

Neste dia 26 de agosto, domingo, o mundo vai lembrar que em 26 de agosto de 1789 (quando nem se falava em comunismo),  a França aprovou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Era uma França em que os cansados assumiram o poder e derrubaram a famosa Bastilha- a prisão onde bandidos como Voltaire ficaram isolados como perigo social.

229 anos depois, quem defende os direitos humanos é chamado de “defensor de bandido”.

Discurso mais corrente, também, na maioria dos policiais militares.

Ninguém chora mais neste dia 25 de agosto que a mãe de Davi, dona Maria José da Silva, verdureira e, por incrível que pareça, ainda está viva.

Ninguém perdeu mais neste 25 de agosto que a mãe de Davi- negro, pobre- que terá de se acostumar com a impunidade.

Qual juiz ou jurista de Alagoas teria coragem de olhar nos olhos de dona Maria e dizer: “processo não tem cor nem lado”?

O ódio de uma sociedade doente matou Davi.

E a Justiça alagoana ajuda a chocar a serpente de dentro do ovo: a impunidade, resposta de um país que mata 63 mil pessoas por ano.

Porque defender direitos humanos- no senso comum- é coisa de bandido.

reporternordeste

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