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Intolerância: Por Missa dos Quilombos padre é ameaçado

Intolerância: Por Missa dos Quilombos padre é ameaçado
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Entre a riqueza cultural do Maranhão, a força da identidade negra é proeminente no Quilombo Urbano do bairro da Liberdade, que celebra 100 anos de existência.

A Missa dos Quilombos foi criada em 1981 por Dom Pedro Casaldaliga e Pedro Tierras, no vigor das Comunidades Eclesiais de Base, contra a intolerância e os preconceitos raciais no Brasil.

Desde então, a Missa dos Quilombos faz parte do calendário anual da Igreja Católica local.

Mas, neste tempo de avanço do racismo e da intolerância religiosa, se tornou motivo para agressões dirigidas ao padre que realizou a cerimônia e ao arcebispo de São Luís.

O texto abaixo está circulando pela rede social facebook, e logo depois tem o link do vídeo que exibe a “Missa dos Quilombos” mostrada pela TV maranhense, onde é possível encontrar a riqueza da fé partilhada em irmandade de amor e respeito pela diversidade cultural brasileira.

“Satanás!
Aberração! 
Padre profano!
Herege!
Quando morrer vai para o inferno e leva muitas almas junto…”
São apenas alguns dos ataques, por meio das redes sociais, e, também, fora delas, que estão sendo dirigidos ao padre Ribamar Nascimento, vigário no bairro da Liberdade, em São Luís. No último domingo, durante a missa, o religioso relatou aos paroquianos a grave ameaça que vem sofrendo desde a última quinta-feira.

Ele disse temer por sua integridade física. “A intolerância no Brasil chegou a um nível muito alto. Não se sabe até onde essas pessoas podem ir”, relata o padre. Os ataques, segundo ele, também são dirigidos ao arcebispo de São Luís, dom Belisário.

Mas, o que de tão grave padre Ribamar cometeu? Celebrar uma missa. Este é o crime pelo qual o religioso foi julgado e condenado.

A celebração se chama ‘Missa dos Quilombos’ e aconteceu na última quinta-feira, 15 de novembro, na Igreja do Desterro, em homenagem ao Dia de Combate à Intolerância. Há oito anos, esta mesma missa é realizada em São Luís, em paróquias diferentes.

A Missa dos Quilombos, organizada pelas Comunidades Eclesiais de Base, da Igreja Católica, foi criada em 1981, por Dom Pedro Casaldaliga e Pedro Tierra, com o objetivo de denunciar as consequências do preconceito no Brasil, por meio da manifestação de fé e comunhão entre os diferentes povos.

Padre Ribamar explica que, na Missa dos Quilombos deste ano, a única coisa que ele fez de diferente foi usar um turbante colorido na cabeça. E, no inicio da celebração, houve a apresentação de uma roda de tambor de crioula, dança de origem africana. Desde então, os ataques não param.

“Todo o rito da Missa dos Quilombos que celebrei foi dentro da liturgia da Igreja Católica. As músicas e os instrumentos foram os mesmos que usamos em todas as nossas celebrações. Deus é amor. Deus quer a união dos povos. Não entendo toda essa intolerância e violência”, relata padre Ribamar, com tristeza pelo que vem sofrendo.

Padre Ribamar é mais uma vítima da intolerância religiosa e preconceito racial, tão em evidência no Brasil de hoje. Ele precisa do apoio de todos que se contrapõem a esta prática abominável.

E hoje, Dia da Consciência Negra, tudo isso que padre Ribamar está passando apenas comprova que somos, sim, um país preconceituoso, racista e com muita gente hipócrita!

Link do vídeo da missa:

http://g1.globo.com/ma/maranhao/jmtv-1edicao/videos/t/edicoes/v/missa-dos-quilombos-e-realizada-em-sao-luis/7166401/

Reporternordeste

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