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Terrorista espanhol preso no Brasil 24 anos depois de fugir

Terrorista espanhol preso no Brasil 24 anos depois de fugir
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O espanhol Carlos García Juliá foi detido esta semana em São Paulo pela polícia brasileira. Em 1977, participou num atentado da extrema-direita que matou cinco pessoas. Depois, conseguiu fugir

Tinha 24 anos quando cometeu os crimes, 38 quando se pôs em fuga. Agora, aos 65, o espanhol Carlos García Juliá foi finalmente detido. Espanha deve pedir a sua extradição do Brasil nas próximas semanas, para cumprir uma pena de 193 anos de prisão.

Pedro Sanchez, chefe de governo espanhol, já se congratulou via Twitter: “O fascismo quis por a Democracia de joelhos, mas a Democracia e a Justiça sempre vencem os seus inimigos.”

García Juliá foi um dos cinco elementos da Fuerza Nova, um movimento de extrema-direita espanhola, responsáveis pelo atentado que ficou conhecido no país vizinho como a “Matança de Atocha”.

A 24 de janeiro de 1977, um grupo armado irrompeu pelo escritório da delegação operária do Partido Comunista e mataram à queima roupa três advogados, um administrativo e um estudante de direito.

O seu objetivo era impedir o crescimento das forças de esquerda e retomar o fascismo que vigorava no país antes de “la Transicíon”, durante o ditadura franquista.

García Juliá era um dos pistoleiros. No tribunal, foi não só condenado por homicídio em primeiro grau como também por terrorismo. A pena era pesada – para todos os efeitos, iria passar o resto da vida na prisão.

Um dos elementos do seu grupo tinham conseguido fugir da justiça antes sequer de ser levado a tribunal e ele também tentou a sua sorte. Em 1979 tentou escapar-se da prisão de Ciudad Real, ainda antes do processo começar – sem sucesso.

Mas em 1994, após cumprir 14 anos de pena, quando cumpria uma saída em liberdade condicional, conseguiu convencer um juiz a autorizá-lo a viajar para o Paraguai – alegando que ali tinha uma oferta de trabalho.

Aproveitou com isso um vazio legal: o fato de ter uma condenação por terrorismo fazia com que o juiz do tribunal que o havia preso, em Valladolid, não pudesse dar seguimento a medidas especiais que teriam de ser decretadas por Madrid.

Aos olhos da lei, o homem tinha uma oferta, e uma oferta significava a sua reinserção na sociedade. O juiz não teve outro remédio senão autorizá-lo a viajar.

Quando chegou a Assunção começou por cumprir os ditames institucionais: inscreveu-se na embaixada espanhola e, quando passado uns meses Madrid lhe enviou uma carta para que voltasse a Espanha e cumprisse o resto da pena, ele foi ao consulado recebê-la.

Depois fugiu.

Nos 24 anos seguintes, andou sempre um passo à frente das autoridades de espanhola, que pediram um mandato de captura internacional ao homem.

Esteve preso na Bolívia por tráfico de droga e financiamento de grupos paramilitares, mas nessa altura a polícia espanhola não conseguiu desmascarar a identidade falsa que usava.

Carlos tinha-se evaporado, Espanha ia recolhendo sinais de que tinha estado na Argentina, no Chile, no Brasil, na Venezuela. Mas quando chegava a altura de emitir uma ordem de detenção, o seu paradeiro era pura e simplesmente um mistério.

O caso ganhou nova vida em 2016, quando a Audiência Nacional de Espanha voltou a emitir um mandato de captura. A Polícia Federal brasileira encontrou-o esta semana desarmado, a sair de casa de casa. Vivia uma vida descontraída e era motorista da Uber.

Diário de Notícias

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