Ambulâncias_728x90
vida_nova_728x90
Home Geral Brasil Palocci acusa Roberto D’Ávila, da GloboNews, em delação. “Mentira deslavada”, diz jornalista

Palocci acusa Roberto D’Ávila, da GloboNews, em delação. “Mentira deslavada”, diz jornalista

Palocci acusa Roberto D’Ávila, da GloboNews, em delação. “Mentira deslavada”, diz jornalista
0
0

Em delação premiada, o ex-ministro Antonio Palocci, preso por dois anos e condenado na Operação Lava Jato, fez acusações contra o jornalista Roberto D’Ávila, da GloboNews. Em seu terceiro depoimento à Polícia Federal, em abril de 2018, Palocci disse que o jornalista se ofereceu para atuar como espécie de laranja e receber dinheiro de empreiteira investigada na Lava Jato para a produção do filme “Lula, o filho do Brasil”, inspirado em biografia do ex-presidente.

O ex-petista disse que D’Ávila, que era produtor do filme, lhe ofereceu comissão para intermediar a transação com o grupo Schahin, que mantinha contratos com a Petrobras. A informação foi publicada pela revista digital Crusoé. Em entrevista à publicação, D’Ávila refutou as declarações de Palocci. “Não fui laranja nenhum. Fui produtor do filme e várias empresas contribuíram”, afirmou. “Isso é uma mentira deslavada”, acrescentou (leia mais abaixo a resposta dele).

O assunto foi um dos mais comentados no Twitter brasileiro nesta manhã com a #LaranjalDaGloboNews, impulsionada sobretudo por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, em contraofensiva às suspeitas levantadas contra o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), alvo de hashtags negativas nos últimos dias.

Contrato com a Petrobras

Conforme relato da Crusoé, Palocci afirmou que a Schahin se ofereceu para remunerá-lo em troca de ajuda para renovar contrato que mantinha com a Petrobras. O ex-ministro disse que sugeriu, após a renovação do contrato, que o grupo contribuísse também com o PT. Segundo ele, surgiu então a ideia de que a empreiteira poderia ajudar a financiar o filme. Ele contou que repassou o contato de Roberto D’Ávila a Milton Schahin, dono do grupo.

De acordo com o delator, o jornalista o havia procurado pedindo ajuda, após indicação de Lula ou alguém ligado ao ex-presidente, de R$ 5 milhões para produzir o filme. Palocci afirma que D’Ávila se ofereceu para atuar como intermediário caso empresas que pretendiam investir na produção não quisessem aparecer. Segundo o ex-petista, também disse que poderia lhe pagar comissão em cima dos valores arrecadados.

Alternativas

Em trecho da delação reproduzido pela revista, o ex-ministro narra que D’Ávila disse que havia quatro possibilidades para o repasse desses recursos ao filme. Eram elas, conforme o delator: doar abertamente e divulgar seus nomes como apoiadores; doar abertamente e manter em sigilo suas marcas; efetuar pagamentos às empresas do jornalista, com apoio financeiro em segredo;  ou efetuar contratos com a produtora de D’Ávila para dar suporte às transferências – hipótese em que o sigilo também seria mantido.

Palocci disse, ainda, que o Planalto atuou diretamente para beneficiar a Schahin na Petrobras. Ele contou que, após ter sido procurado pelo empreiteiro, conversou com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. O ex-petista relatou que Dilma se comprometeu a receber Milton Schahin para resolver pendências da empreiteira. O delator afirmou que a então ministra admitiu ter sido a responsável por incluir o grupo no “processo”. A reportagem não especifica a que processo ele se refere nem se Palocci recebeu a “comissão”. Em março do ano passado, as empresas do grupo Schahin tiveram falência decretada pela Justiça.

Congresso em Foco procurou a assessoria de Dilma e aguarda retorno. Caso a ex-presidente se manifeste, a reportagem será atualizada.

“Não existe laranja”

D’Ávila rebateu a versão de Palocci. “Era 2008 e Lula tinha 90% de aprovação. Aquilo era um negócio para nós. Nossas empresas pegaram dinheiro de várias empresas. Não tinha ideia daquilo, daquele conluio todo das empresas e a Petrobras”, declarou à Crusoé.

O jornalista disse que não sabia, na época, que a Schahin tinha contrato com a Petrobras. “Não existe laranja. Palocci não falou a palavra laranja”, contestou. Segundo ele, Palocci mentiu sobre a oferta de comissão em troca de ajuda na arrecadação para o filme. “Isso não é verdade. Ele é um delator. É uma mentira deslavada. Isso é uma briga política e botaram o filme do Lula dentro dessa briga. Dez anos atrás ninguém tinha ideia”, ressaltou.

Condenação

Palocci ficou preso em Curitiba entre setembro de 2016 e novembro de 2018, quando passou para a prisão domiciliar, em São Paulo. No fim do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reduziu a pena do ex-ministro na Lava Jato para nove anos e dez dias, com cumprimento em regime semiaberto diferenciado, em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Na condenação em primeira instância, a punição era de 12 anos e 2 meses por corrupção e lavagem de dinheiro.

Também no ano passado, o Ministério Público Federal pediu à 12ª Vara da Justiça Federal de Curitiba que o ex-petista pague US$ 20 milhões para permanecer em prisão domiciliar. O pedido ainda não foi analisado.

Palocci enfrentou resistência do Ministério Público para fechar delação premiada. Mas conseguiu, inicialmente, fazer acordo com a Polícia Federal. Por fim, no entanto, chegou a um entendimento com os procuradores prometendo delatar figuras com foro privilegiado em troca de benefícios em sua pena. Em suas delações, os principais alvos são seus ex-chefes, os ex-presidente Lula, de quem foi ministro da Fazenda, e Dilma Rousseff, em cuja gestão comandou a Casa Civil. Nas duas oportunidades, ele deixou o cargo, na condição de homem forte do governo, após denúncias.

O filme

Dirigido pelo cineasta Fábio Barreto, “Lula, o filho do Brasil” foi rodado em 2009 e estreou em 1º de janeiro de 2010. Com orçamento de mais de R$ 17 milhões, foi a produção mais cara da história do cinema brasileira, perdendo o posto, no mesmo ano, para Nosso Lar. A arrecadação e o público ficaram abaixo da expectativa.

O filme é baseado em livro homônimo da jornalista Denise Paraná e conta a história do ex-presidente desde seu nascimento até a morte de sua mãe, quando ele tinha 35 anos e já era líder sindical no ABC Paulista. A produção teve a produção de Luiz Carlos Barreto e Paula Barreto, pai e irmã do diretor.

De acordo com O Estado de S. Paulo e a revista Época, o filme foi patrocinado por diversas empreiteiras, algo incomum no mercado brasileiro. A obra, de acordo com aviso divulgado em sua abertura, “foi produzida sem o uso de qualquer lei de incentivo fiscal federal, estadual ou municipal, graças aos patrocinadores”. Entre os patrocinadores estavam a Odebrecht, a Camargo Corrêa e a OAS, todas posteriormente investigadas na Lava Jato.

congressoemfoco

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *