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Polícia e MP prendem PM reformado e ex-PM suspeitos pelos assassinatos de Marielle e Anderson

Polícia e MP prendem PM reformado e ex-PM suspeitos pelos assassinatos de Marielle e Anderson
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Força-tarefa afirma que o policial reformado Ronnie Lessa atirou contra a vereadora e que militar expulso Élcio Vieira de Queiroz dirigia o carro que perseguiu Marielle. Crimes completam um ano nesta quinta-feira (14).

Policiais da Divisão de Homicídios e promotores do Ministério Público estadual do Rio de Janeiro prenderam, na manhã desta terça-feira (12), o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48 anos, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, apontados como suspeitos pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Segundo as investigações, Ronnie fez os disparos contra a vereadora e Élcio dirigiu o carro usado para levar o executor. Ronnie estaria no banco de trás do Cobalt.

O policial reformado foi levado para a Divisão de Homicídios do Rio por volta das 4h30. A investigação ainda tenta esclarecer, no entanto, quem foram os mandantes do crime e a motivação.

De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o crime foi meticulosamente planejado durante três meses que antecederam o atentado. Os crimes completam um ano nesta quinta-feira (14).

Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Durante todo o dia, haverá buscas em 34 endereços de outros suspeitos.

PM reformado Ronnie Lessa foi preso nesta terça-feira — Foto: ReproduçãoPM reformado Ronnie Lessa foi preso nesta terça-feira — Foto: Reprodução

PM reformado Ronnie Lessa foi preso nesta terça-feira — Foto: Reprodução

A investigação aponta que Ronnie fez pesquisas na internet sobre locais que a vereadora frequentava. Os investigadores sabem também que desde outubro de 2017 o policial também pesquisava a vida do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL).

Lessa também teria feito pesquisas sobre o então interventor na segurança pública do Rio, general Braga Neto. Lessa também fazia pesquisas na internet sobre a submetralhadora MP5, que pode ter sido usada no crime.

A Operação Lume foi batizada em referência a uma praça no Centro do Rio, conhecida como Buraco do Lume, onde Marielle desenvolvia um projeto chamado Lume Feminista. No local, ela também costumava se reunir com outros defensores dos Direitos Humanos e integrantes do PSOL. Além de significar qualquer tipo de luz ou claridade, a palavra lume compõe a expressão ‘trazer a lume’, que significa trazer ao conhecimento público, vir à luz.

Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução/JNMarielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução/JN

Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução/JN

O sargento Lessa foi preso em casa. Ele mora no mesmo condomínio onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

“É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia”, diz a denúncia acrescentando que a barbárie praticada na noite de 14 de março do ano passado foi um golpe ao Estado Democrático de Direito.

Assessora da vereadora presenciou o crime

Assessora que estava ao lado de Marielle Franco quando a vereadora foi executada, Fernanda Chaves afirmou que a chefe incomodava – mas não soube identificar uma situação específica para justificar o atentado. “Era um conjunto de coisas, a Marielle incomodava”, frisou.

Neste domingo (10), Fernanda falou pela primeira vez sem esconder o rosto. “Ela era obviamente crítica à ação das milícias, não tinha as milícias como alvo. Institucionalmente, ela tinha uma limitação como vereadora. O mandato dela estava muito mais voltado para questões de gênero, de violência contra a mulher”, emendou Fernanda.

A assessora acrescenta que Marielle não tinha se indisposto com ninguém na época. “Ela não teve um problema específico que pudesse ter engatilhado uma situação que culminasse com o assassinato dela”, afirmou.

Linhas de investigação

A DELAÇÃO

Quase dois meses após o crime, em maio, uma publicação do jornal O Globo deu indícios do que pode ter sido a articulação para matar Marielle. A reportagem mostrou que uma testemunha deu à polícia informações que implicaram no crime o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano Orlando Curicica.

A testemunha – que integrava uma milícia na Zona Oeste do Rio e foi aliado de Orlando – contou à polícia ter testemunhado uma conversa entre Siciliano e o miliciano na qual os dois arquitetaram a morte da vereadora. A motivação para o crime, segundo a testemunha, seria a disputa por áreas de interesse na região de domínio de Orlando.

“Ela peitava o miliciano e o vereador. Os dois [o miliciano e Marielle] chegaram a travar uma briga por meio de associações de moradores da Cidade de Deus e da Vila Sapê. Ela tinha bastante personalidade. Peitava mesmo”, revelou a testemunha, de acordo com o jornal.

Tanto Siciliano quanto Orlando negam ter planejado a morte da vereadora. No mês seguinte,, o miliciano foi, a pedido da Segurança Pública do RJ, transferido para uma unidade prisional de segurança máxima.

PONTOS DA DELAÇÃO

  • Testemunha diz que Marcello Siciliano (PHS) e Orlando de Curicica queriam Marielle morta.
  • Motivação seria avanço de ações comunitárias da vereadora na Zona Oeste.
  • Conversas sobre o crime teriam começado em junho de 2017.
  • Ex-aliado de Orlando citou, além de Siciliano e o miliciano, outras quatro pessoas.
  • Homem chamado “Thiago Macaco” teria levantado informações sobre Marielle.

VINGANÇA

Outra linha de investigação surgiu em agosto: Marielle, que trabalhou com o então deputado estadual Marcelo Freixo, teria sido morta por vingança.

“Tudo o que eu construí no Rio de Janeiro, ela construiu comigo. Então é claro que, quando alguém mata a Marielle, me atinge de forma muito forte, de forma muito brutal. Não sei se essa era a intenção de quem matou a Marielle”, disse o hoje deputado federal.

Os deputados do MDB fluminense Paulo Melo, Jorge Picciani e Edson Albertassi, adversários políticos de Freixo, passaram a ser investigados. Presos por corrupção, os parlamentares negaram envolvimento no crime.

Também em agosto, foi divulgada a descoberta de um grupo que ficou conhecido como “Escritório do Crime”, uma quadrilha formada por policiais e ex-policiais. O envolvimento desse grupo nos assassinatos de Marielle e Anderson explicaria a dificuldade de esclarecer o caso.

INVESTIGAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO

A Polícia Federal começa a apurar a possibilidade de haver fraudes na investigação do caso.

G1

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