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Padres criticam proposta de trocar Paulo Freire por Anchieta como patrono da Educação

Padres criticam proposta de trocar Paulo Freire por Anchieta como patrono da Educação
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O projeto, apresentado pelo deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) em 21 de maio, foi criticado pelo santuário que cuida do legado do santo no país. Já o parlamentar chamou os responsáveis pelo texto de ‘hereges’

Nota faz duras críticas a proposta que propõe Padre Anchieta no lugar de Paulo Freire como patrono da Educação

Nota faz duras críticas a proposta que propõe Padre Anchieta no lugar de Paulo Freire como patrono da Educação – Divulgação
Rio – No centro da polêmica que busca retirar o educador Paulo Freire como o patrono da Educação foi inserido agora São José de Anchieta, padre jesuíta padroeiro nacional e considerado o primeiro professor do Brasil. O projeto, apresentado pelo deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) em 21 de maio, foi criticado pelo santuário que cuida do legado do santo no país, canonizado em 2014. Já o parlamentar chamou os responsáveis pelo texto de “hereges”.
A nota, divulgada quatro dias após a apresentação do projeto, diz que “na atual conjuntura governamental do nosso país”, não pode aceitar que o legado de São José de Anchieta seja “instrumentalizado para fins meramente ideológicos”, além de defender o legado de Paulo Freire.

“Reconhecemos a imensa importância do legado de Paulo Freire para o Brasil e para o mundo. Tanto São José de Anchieta como Paulo Freire caminham na mesma direção. Ambos optaram por estar à serviço da educação dos marginalizados”, diz o texto. Outros pontos colocados na nota é que Anchieta foi o primeiro defensor do meio ambiente e indigenista, no momento em que ambos estão ameaçados.
A nota de repúdio é assinada pelo reitor, padre Nilton Marostica, e vice-reitor, padre Bruno Franguelli, do Santuário Nacional de Anchieta. A instituição, administrada pela Companhia de Jesus, fica na cidade de Anchieta (ES), onde o jesuíta viveu os últimos anos de vida. Franguelli diz que a motivação do texto foi a cobrança de alguns fiéis tanto a favor quanto contra a proposta.

“O que nos motivou a se posicionar foi porque recebemos muitos fiéis que estavam perguntando sobre essa situação. Lemos o que estava escrito nesse projeto e percebemos que houve uma certa apropriação ideológica do legado de José Anchieta, com o intuito somente de retirar Paulo Freire”, disse Franguelli.

A posição do santuário, publicada em rede social, tem sido alvo de várias críticas e até insultos.”Quando não há argumentação, se insulta o outro, mas temos que sobreviver e se posicionar, com serenidade. São ataques sem fundamentos, de pessoas apaixonadas que estão cegas e não conseguem ver o outro lado. Estamos aberto ao diálogo, mas elas não querem dialogar racionalmente”, falou.

O vice-reitor do Santuário de Anchieta disse que o padre jesuíta merece reconhecimento, mas que isso não pode ser feito em desmerecimento ao legado de Paulo Freire, destacando a relação existente entre ambos. Segundo o sacerdote, é incoerente o “reconhecimento” num momento em que o governo toma medidas que prejudicam a educação.

“Isso é muito incoerente, principalmente no momento em que a educação não é prioridade no país. Anchieta não merece isso e temos a missão de defender o legado dele. Não há uma preocupação de reconhecer o legado do homem que no século 16 fez uma revolução na educação. Ele preocupava-se com o nativo, os excluídos, dando a possibilidade de refletir, criticar e se libertar. Nesse sentido que existe uma relação forte entre Paulo Freire e Anchieta, pois ambos acreditavam que a educação tem que ser uma educação de libertação”, defende.

Autor de projeto chama padres de ‘hereges’

O DIA também conversou com o deputado federal Carlos Jordy, do PSL do Rio, autor do projeto que pede São José de Anchieta como patrono da Educação. O parlamentar do partido do presidente Jair Bolsonaro afirma que não existe viés ideológico no pedido e sim uma busca por reconhecer o legado do educador do século XVI.

“Eu nem sou católico, sou evangélico, mas sou um grande admirador de José de Anchieta, o primeiro educador do Brasil. Além de grande cristão, foi um grande professor”, falou, criticando o atual patrono Paulo Freire, reconhecido e estudado mundialmente, alegando que o método adotado pelo educador “emburreceu” as pessoas, e só se preocupa com “consciência social” e não com conteúdos básicos.

Jordy fez duras críticas a nota do Santuário Nacional de Anchieta e chamou os autores do posicionamento de “hereges” e “teóricos da libertação”. “Eles não são proprietários de São José de Anchieta. A nota é carregada de teor ideológico e esses padres são hereges de comparar Anchieta com Paulo Freire. A indicação dele como patrono não é ideológica, mas uma sim busca dar valor ao seu legado”, falou.

O projeto, que foi anexado a proposta principal que tenta revogar a lei que alçou Paulo Freire em 2012 como patrono da educação, está sendo analisado na Comissão de Cultura, presidida pela deputada federal Áurea Carolina (Psol-MG).

Na proposta de lei, Jordy discorre sobre a biografia e atuação do padre espanhol no Brasil, que ensinou latim, catequizou indígenas e foi o autor da primeira gramática, a “Arte da Gramática da Língua Mais Falada do Brasil”, publicada em 1595. Já Freire é citado com base em críticos do seu método, apontado  pelo parlamentar como responsável pelo “declínio na educação”.
O filósofo, pedagogo e escritor pernambucano Paulo Freire tem como principal obra “Pedagogia do Oprimido”, traduzida em mais de 20 idiomas e é a terceira mais citada em artigos acadêmicos, tendo seu método estudado em universidades que são referências mundiais como Harvard, Oxford, Stanford e Cambridge.
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