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A cubana que pede indenização nos EUA por trabalho escravo no Mais Médicos

A cubana que pede indenização nos EUA por trabalho escravo no Mais Médicos
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Às vésperas de completar 50 anos, a doutora Tatiana Caraballo se diz completamente acostumada à sua nova rotina: de segunda a sábado passa 10 horas em pé empacotando roupas e sapatos vendidos pela Amazon, a gigante do varejo online americano, em um galpão na cidade de Louisville, no Kentucky (EUA).

Pelo trabalho, ela ganha US$ 15 por hora, ou algo em torno de US$ 3,5 mil ao mês. Suas atividades atuais não lembram em nada aquilo que fez ao longo da carreira de 25 anos: como médica ginecologista, Tatiana atuou primeiro em Cuba, seu país natal, e depois no Belize, na Venezuela e no Brasil, onde chegou em 2014, como parte do programa Mais Médicos.

 

Alocada em Limeira, interior paulista, Tatiana atendia entre 25 e 30 pacientes ao dia e tratava desde hipertensão a gonorreia. Reconhece que nos primeiros meses mal entendia o que os enfermos diziam nas consultas: quando o governo cubano determinou, como ela diz, que Tatiana seria transferida ao Brasil, deu a ela um curso expresso de 45 dias de língua portuguesa e a colocou num avião sem ter a menor ideia de onde se estabeleceria no Brasil.

Com o tempo, no entanto, Tatiana diz que começou a compreender melhor não só o português, mas a própria condição. Descobriu que ganhava muito menos que os demais médicos de outras nacionalidades no mesmo programa. Aos colegas caberia R$ 11 mil, à ela, R$ 1,2 mil. O restante do salário de Tatiana era enviado pelo Brasil à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, que remetia 90% ao governo cubano e retinha 10% para si.

A questão financeira foi só um dos prenúncios de que a história de Tatiana no Brasil não terminaria com a fuga da médica em direção aos Estados Unidos, em 2017. Com outros três médicos cubanos que também deixaram o programa brasileiro e se refugiaram nos Estados Unidos, há 10 meses ela decidiu abrir um processo milionário na Justiça Americana em que acusa a Opas de promover tráfico de pessoas e explorar o trabalho humano forçado.

bbcbrasil

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