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Não vamos desistir, diz Luiza Trajano após ataques racistas a programa de contratação só para negras e negros no Magalu

Não vamos desistir, diz Luiza Trajano após ataques racistas a programa de contratação só para negras e negros no Magalu
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Programa de treinamento foi alvo de ataques racistas nas redes sociais. A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, diz que já esperava pelas críticas, mas afirma que o programa tem respaldo legal e vai continuar

O anúncio do Magazine Luiza de que fará um trainee exclusivo para negros foi alvo de ataques no último fim de semana, sob argumento de que a iniciativa seria ilegal e racista.

Porém, a empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, diz que vai continuar. Para ela as críticas já eram esperadas, mas sustenta que o programa tem respaldo legal.

No sábado (19), a juíza do Trabalho Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça afirmou no Twitter que o programa era inadmissível. Os deputados federais bolsonarisitas Carlos Jordy (PSL-SP) e Daniel Silveira (PSL-RJ) disseram que a iniciativa seria ilegal.

Atualmente, o Magazine Luiza tem em seu quadro de funcionários 53% de pretos e pardos. Mas apenas 16% deles ocupam cargos de liderança, informa a Folha de S.Paulo. Segundo a empresa, o programa de trainees lançado nesta sexta-feira é o primeiro exclusivo para negros do Brasil. O salário é de R$ 6,6 mil, com benefícios e bônus de contratação de um salário.

A reportagem da jornalista Bruna Narcizo informa ainda que candidatos de todo o país podem participar, desde que tenham disponibilidade para se mudar para São Paulo. Caso o selecionado seja de fora da cidade, receberá um auxílio-mudança.

Em entrevista , a empresária conta que a decisão de lançar o programa de trainee foi do conselho, diretores e os funcionários negros. Ela acrescenta que “há uns três ou quatro anos eu reservo três vagas a mais no nosso programa de trainee só para negros. Mas nunca conseguimos [preenchê-las]. Eles não se inscreviam. O processo seletivo não ia de acordo e a gente entendeu que as exigências excluíam negros”.

“O que a gente sente é que a sociedade custa a entender o que é o machismo estrutural e o racismo estrutural”, diz .

Luiza Helena Trajano diz que a empresa já esperava as críticas, “mas tem coisas muito agressivas”. Explica que o programa de trainee do Magalu “foi a forma que a gente encontrou. É uma solução para empresa, não uma solução geral. A gente respeita pontos de vista diferentes”.

Questionada por que esse tipo de iniciativa ainda incomoda tanto, a empresária respondeu que “as  pessoas ainda não têm profundo conhecimento do tamanho do racismo estrutural que vivemos. Mas é claro que o ponto de vista diferente faz parte do processo, e entendemos isso. Nós estamos muito felizes de quebrar esse paradigma e nesses dois dias já recebemos muitas inscrições. Ficamos muito felizes”.

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