Home Destaque Quase cem dias e o que estaria por trás da prisão de Rocha Lima?

Quase cem dias e o que estaria por trás da prisão de Rocha Lima?

Quase cem dias e o que estaria por trás da prisão de Rocha Lima?
0
0

Próximo de completar cem dias, a prisão do tenente-coronel Rocha Lima ainda é objeto de muitas polemicas.

A defesa do oficial e a família tentam respostas para a manutenção da prisão do militar, acusado de participar da trama que resultou em um assassinato.

O emblemático caso teve um de seus ápices a partir da apreensão de antigas camisetas, pertencente a Rocha Lima. As vestimentas foram encontradas por equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na casa de Wagner Luís Neves, que fazia serviços caseiros para o militar. Wagner é apontado como o autor dos disparos que mataram Luciano Albuquerque Cavalcante, executado na manhã de 25 de outubro do ano passado, no Conjunto Village Campestre II, parte alta de Maceió. A vítima era irmão de um assessor do deputado estadual Francisco Tenório, que não tem escondido seu desejo em manter todos os acuados presos.

A ligação entre Wagner com Rocha Lima, embora Wagner negue qualquer participação do oficial no crime, deu a delegada responsável pelas investigações, Tacyane Ribeiro, da DHPP, o mote para o pedido de prisão, sustentado pelo Ministério Público Estadual, através do promotor de Justiça Antônio Luis Vilas Boas Sousa, da 68ª Promotoria de Justiça da capital. A denúncia do MPE é que a vítima foi morta porque devia R$ 3 mil aos assassinos.

Além de Wagner e o oficial da Polícia Militar, também foram presos acusados na mesma trama o militar da reserva José Gilberto Cavalcante Góes e Gilson Cavalcanti de Góes.

Nem mesmo a gravação do áudio de uma conversa entre Wagner e o advogado, surtiu efeito para a libertação do ex-comandante do 8º Batalhão da Polícia Militar (8º BPM).

No áudio, anexado na defesa de Rocha, o autor dos disparos é enfático ao afirmar que o militar nunca participou no crime.

“A ex-mulher do Rocha Lima, depois da separação, tinha pedido uma medida protetiva e a distância entre eles tinha de ser de 500 metros. Eu fui buscar umas coisas que ele tinha esquecido e ela me entregou uma caixa com pertences dele. Avisei ao coronel e ele disse que depois pegava comigo, na minha casa. Coloquei em cima do guarda-roupa e esquecemos lá. O [tenente] coronel [Rocha Lima] não tem nada a ver com esse crime”, disse Wagner Neves.

E a sequência de dúvidas a respeito da participação de Rocha Lima na trama só fazem aumentar. Em julho passado, o resultado de um exame de DNA, realizado pela equipe do Laboratório de Genética Forense do Instituto de Criminalística de Alagoas, comprovou um erro na acusação contra o oficial.

O resultado de um exame feito em um boné, apreendido no local onde aconteceu a execução, confirmaram que o item pertencia a um dos presos, vinculando-o à cena do crime.

Na última audiência que negou o Habeas Corpus a favor de Rocha Lima, os desembargadores José Carlos Malta e Washington Luiz após se manifestarem contra a manutenção da prisão por entenderem que não haviam motivos para tal, retrocederam nas declarações e decidiram seguir o parecer do relator do caso, o também desembargador João Luiz Lessa, que é irmão do delegado da Polícia Civil, Antônio Carlos Lessa, presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil de Alagoas (Adepol).

E foi o grau familiar do relator do caso com o presidente da Adepol que levantou mais discórdias sobre o caso. No entender de alguns advogados que acompanham o processo, o desembargador deveria se averbar suspeito e se recusar a relatoria.

Diante do imbróglio, o comando-geral da Polícia Militar determinou que sua corregedoria, através do coronel Carlos Azevedo, apurasse em sindicância o suposto envolvimento de Rocha Lima no crime.

Em depoimentos, os envolvidos descartaram qualquer participação de Rocha Lima na trama criminosa.

Enquanto Gilson Cavalcanti, cujo pai esteve na sede da DHPP e em contato com a delegada responsável pelas investigações ‘exigiu’ que ela investigasse Rocha Lima, para o corregedor da PM ele afirmou que nunca teve contato com o oficial, Wagner manteve a versão que a camiseta encontrada em sua casa tinha sido esquecida no imóvel após concluir a mudança da casa do militar preso.

emergencia190

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *