Após a mãe da menina Ana Beatriz Rodrigues Rocha, 6 anos, se tornar ré por abandono de incapaz, conforme decisão judicial divulgada ontem (28), a defesa ingressou com pedido de perdão judicial, para tentar reverter a acusação na Justiça.

A denúncia contra Ana Lúcia da Silva foi ajuizada pelo Ministério Público de Alagoas (MP/AL) e recebida pelo juiz Leandro de Castro Folly. Nesta quinta-feira (29), a Associação AME, que faz a defesa da mãe da menina, entrou com o pedido de perdão.

Em entrevista à TV Ponta Verde, a presidente da AMA, Júlia Nunes, disse que o intuito da defesa é convencer a Justiça de que o lapso temporal em que a menina ficou sozinha foi pequeno, injustificável e que não houve má fé por parte da mãe.

Ainda segundo a advogada, Ana Lúcia ter se tornado ré no processo tem gerado ainda mais dor e sofrimento para ela, que perdeu a filha de uma forma brutal.

Se o perdão judicial for aceito, pena estipulada pelo Código Penal Brasileiro, de quatro a doze anos de prisão dependendo do processo, não será aplicada. No caso de o perdão judicial ser negado, a mãe de Ana Beatriz irá responder o processo.

O caso

A morte de Ana Beatriz chocou e revoltou moradores de Maravilha. A menina desapareceu no dia 5 de agosto e foi encontrada morta no dia seguinte (6), dentro de um saco de nylon, no telhado da casa do suspeito.

O homem acusado de praticar o crime era conhecido da família e da vizinhança e, segundo testemunhas, costumava dar dinheiro a menina para que ela comprasse doces e balas.

No dia em que o corpo de Ana Beatriz foi encontrado, populares jogaram pedras na casa do suspeito e ameaçaram linchá-lo. A polícia, foi acionada pela família da menina que desconfiou do envolvimento do homem, que morava na vizinhança, no desaparecimento da pequena.

O acusado foi preso em flagrante e autuado por sequestro, homicídio e cárcere privado. Em depoimento, ele afirmou não lembrar do que aconteceu, pois estava sob efeito de droga e álcool.