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Governador Teotônio Vilela participou do VI Encontro de Carros em Santana do Ipanema

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 O governador de Alagoas Teotonio Vilela Filho, prestigiou na última sexta-feira (16), em Santana do Ipanema, o VI Encontro de Carros de Boi, no Parque de Exposição Isaías Vieira Rêgo, que contou com a participação de mais de 500 carreiros.
 
 


Ornamentados e coloridos, os Carros de Bois sairam do Parque de Exposições até o Largo da Camoxinga, local de concetração e realização de Missa dos carreiros, presentes centenas de vaqueiros, aboiadores e gente do alto sertão alagoano.

O Carro de boi é um dos mais primitivos e simples meios de transporte, ainda em uso nos meios rurais, utilizado para o transporte de cargas (produtos agrícolas) e pessoas.

Homem do campo

Teotonio, que usava chapéu de couro, bebeu água de cabaça e saboreou pratos tradicionais da cozinha sertaneja, como buchada e pirão de farinha.

“Gosto do cheiro do mato e do curral. Da forma simples como vocês encaram a vida. Cresci entre uma touceira de cana e um curral de gado. Sei o quanto vocês valorizam esse pedaço de chão. Essa festa revela a tradição do carreiro que diariamente trabalha ouvindo o rangido da madeira dos carros de boi. O gemido do carro de boi me faz menino em Viçosa, mas ao político lembra que o sertão ainda tem sofrimento”, disse Teotonio.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Luiz Alves Ribeiro, idealizador do evento, contou como tudo começou, há seis anos.

“Hoje é o dia do sertanejo. A ideia era aproveitar as festividades da padroeira e homenagear o homem do campo, o vaqueiro, prestigiar o carreiro, indiscutivelmente uma das identidades sertaneja”, disse Ribeiro.

Luiz Ribeiro ressaltou a importância da participação do governador Teotonio Vilela na realização do evento, que, segundo ele, representa a força do homem do campo. Ribeiro falou também da importância das ações do governo para o produtor rural.

“Este ano, a festa do carreiro acontece graças ao apoio do governo e da Secretaria de Agricultura, que tem realizado um trabalho importante para o homem do campo, que há muito tempo não tinha”, disse Ribeiro.
Ornamentação na Praça Manoel Rodrigues da Rocha
No final, em um apoteótico cenário, a imagem da padroeira foi transportada em um florido carro de boi, em um ritual de procissão, dentro dos festejos da Festa da Padroeira da cidade iniciado no dia 17 indo até o dia 25 de Julho. 

História

Rio Grande do Sul (1839) – travava-se a Guerra dos Farrapos. Tudo acertado para a invasão de Santa Catarina. Os revolucionários – de um lado Davi Canabarro chefiava as tropas de terra. Do outro, Giuseppe Garibaldi daria cobertura por mar, atacando os portos da província. Um problema, porém, precisava ser solucionado: os dois lanchões da frota revolucionária estavam imobilizados na foz do rio Capivari. Como a Lagoa dos Patos estava interceptada pela esquadra da União, restava a Garibaldi a saída por terra mas, sem os lanchões a tomada da província era impraticável. A solução veio pelas mãos do mestre Joaquim de Abreu, “carpinteiro de ofício e revolucionário por convicção”, preparou dois estrados de vigamento reforçado, aparelhou troncos em formato de eixos e o resultado: dois carretões pesando 12 e 18 toneladas, respectivamente. As 50 juntas de bois atreladas a cada carretão, após seis dias de marcha, transportaram os barcos até o rio Tramandaí. A façanha não bastou para vencer a revolução: a causa farroupilha acabou sendo derrotada, mas constitui um capítulo na história do carro de bois.[1]

“Boeiro” em Portugal, “carreta” nos pampas gaúchos e “cambona” em algumas regiões do interior do Brasil, o carro de boi já era conhecido dos chineses e hindus. Também os egípcios, babilônios, hebreus e fenícios utilizavam o transporte “via bois”. Mais tarde, os europeus, quando se lançaram à colonização da África e da América, fizeram do boi um item indispensável da carga das caravelaa.[1]

Tomé de Sousa – primeiro governador-geral do Brasil – trouxe consigo carpinteiros e carreiros práticos e, em 1549, já se ouvia o “cantador” nas ruas da nascente cidade de Salvador. A presença do carro de bois também é mencionada no Diálogo das Grandezas do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão (segundo Capistrano de Abreu, páginas 38 e 64, 1956): “É necessário que tenha (…), 15 ou 20 juntas de bois com seus carros necessários aparelhados (…)”, e mais adiante, “A vaca, sendo boa, é estimada a (…), e o novilho, que serve já para se poder meter em carro, a seis e a sete mil réis (…)”.[1]

Nos primeiros tempos da colonização, além de manter em movimento a indústria açucareira - da roça ao engenho, do engenho às cidades, o carro de bois mobilizava a maior parte do transporte terrestre durante os séculos XVI e XVII. Transportavam materiais de construção para o interior e voltavam para o litoral carregados com pau-brasil e produtos agrícolas produzidos nas lavouras interioranas. No Brasil colonial, além dos fretes, o carro de bois conduzia famílias de um povoado para outro – muitas vezes transformado em “carro-fúnebre” e os carreiros precisavam lubrificar os cocões para evitar a cantoria em hora imprópria.[1]

No início do século XVI, o carro de bois era ainda absoluto no transporte de carga e de gente. No Sul, no Centro, no Nordeste, era indispensável nas fazendas. No Rio Grande do Sul as carretas conduziam para a Argentina e para o Uruguai a produção agrícola. Na Guerra do Paraguai, os carretões transportaram munições, víveres e serviram ainda como ambulâncias.[1]

Em meados do século XVIII, entretanto, com o aparecimento da tropa de burros, o carro de bois perdeu sua primazia. Mais leves e mais rápidos, os muares não exigiam trilhas prévias e terrenos regulares. No final do século, vieram os cavalos para puxar carros, carroças e carruagens, e o carro de bois foi proibido por lei de transitar no centro das cidades, ficando o seu uso restrito ao meio rural.[1]

Os veículos motorizados aceleraram o processo de decadência do carro de bois no Brasil, na Argentina, em Portugal, na Espanha, na Grécia, na Turquia, no Irã, na Indonésia e na Malásia. Contudo, em todos esses lugares, artesãos continuaram a construí-los e a aperfeiçoá-los e, graças a essa gente, o carro de bois persiste na sua marcha pela história.[1]

 No Brasil

Introduzido pelos colonizadores portugueses, o carro de boi difundiu-se por todo o país, existindo ainda no meio rural nordestino.

O carro de boi foi um dos principais meios de transporte utilizados para transportar a produção das fazendas para as cidades, mas ainda é utilizado em algumas regiões do país.

Em alguns municípios, como em algumas regiões do interior brasileiro, ainda há fazendeiros que realizam mutirões de carros de bois para transportar suas produções agrícolas e também outros produtos. O som estridente característico do carro de bois, chamado de canto, lamento ou gemido, também faz parte da nossa cultura.

Dotado de uma estrutura que não possui o diferencial, suas rodas travam durante as curvas. Quando em movimento, o autêntico carro de bois emite um som estridente característico - o cantador - que anuncia a sua passagem.

 Partes do carro de boi

Algumas das partes do carro de boi (fonte:Dicionário de Caetitenês, de André Koehne; Museu do carro de boi):

  • canga: peça em que se prende o cabeçalho ou o cambão,e que é colocada sobre o pescoço de dois bois, responsável pela trnsferência de energia mecânica ao cabeçalho.
  • canzil: Peças em forma de estacas trabalhadas que atravessam a canga de cima para baixo em quatro pontos, de modo que o pescoço de cada boi fique entre duas dessas estacas;
  • arreia: suportes que atravessam transversalmente o cabeçalho, sobre os quais se apoiam as tábuas da mesa;
  • cabeçalho: a longa trave que liga o corpo do carro à canga, que se atrela aos bois;
  • cantadeira: parte do eixo que fica em contato com a parte inferior do chumaço. O contato entre eles produz o som característico do carro;
  • cheda: Prancha lateral do leito do carro de bois, na qual se metem os fueiros;
  • cocão: Cada uma das partes fixadas por baixo das chedas, que servem para fixar, duas de cada lado do carro, cada um dos chumaços;
  • fueiro: cada uma das estacas de madeira que servem para prender a carga ao carro;
  • mesa: a superfície onde se coloca a carga;
  • tambueiro: Tira de couro cru, curtido e torcido, que serve para prender o cabeçalho ou o cambão à canga;
  • brocha: Tira de couro cru, curtido e torcido, que serve para prender um canzil ao outro passando por baixo do pescoço do boi.

 

 Na arte

O carro de bois é um elemento referencial, na intervenção feita no Solar do Unhão, atual sede do Museu de Arte Moderna da Bahia, pela arquiteta Lina Bo Bardi: uma escada de madeira, interna, foi toda feita sem o uso de parafusos ou pregos - tal como nos antigos carros.

A música sertaneja, com sua dupla pioneira, Tonico e Tinoco, junto a Anacleto Rosas Jr., compôs a canção "Boi de Carro", onde traçam um paralelo ao boi já velho com o trabalhador que avança na idade.

 

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