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Pesquisas indicam melhores variedades de palma forrageira

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Secretaria de Estado da Agricultura recomenda aos agricultores as variedades mais resistentes a pragas e doenças e com maior produtividade

 

  • Diego Barros

Estação em Santana do Ipanema - palma como exemplo de cultivo

É comum na região do Semiárido alagoano o cultivo da palma forrageira para alimentar animais, principalmente bois, vacas, cabras, ovelhas e carneiros. Segundo estimativas, o Estado tem a maior área de palma do país, que varia entre 180 mil e 200 mil hectares. A palma ocupa o posto de segunda colocada em área plantada, perdendo apenas para a cana-de-açúcar, com área em torno de 400 mil hectares.

Ela é cultivada tanto em grandes quanto em pequenas propriedades, pois é alimento essencial para a nutrição do gado, que garante a Alagoas uma região conhecida como Bacia Leiteira e o posto de estar entre os maiores produtores de leite do Nordeste.

Para fortalecer a pecuária leiteira e dar mais condições aos pequenos criadores de se manter na atividade, com geração de emprego e renda no campo, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri) está incentivando o cultivo de variedades de palma mais bem adaptadas ao Semiárido.

Segundo o pesquisador Fernando Gomes, da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento Rural da Seagri, o uso dessas variedades de palma, desenvolvidas a partir de pesquisas científicas, permite aos agricultores familiares produzir a forrageira em maior quantidade utilizando a mesma área plantada.

“Nós sensibilizamos os agricultores sobre o manejo com enfoque agroecológico. O maior patrimônio do produtor rural é o solo, onde ele planta e colhe o sustento da família. Por isso, nossa preocupação é produzir com sustentabilidade econômica, social e ambiental”, ressalta o pesquisador, que coordena as pesquisas com palma forrageira na Estação Experimental da Seagri em Santana do Ipanema.

Lá, de acordo com Fernando Gomes, existem 50 variedades de palma em estudo, algumas das quais estão em módulos experimentais espalhados por 15 municípios. “Nesses locais, nós fazemos Dias de Campo com os agricultores, para mostrar a eles a viabilidade e o aumento da produtividade. Eles também recebem algumas raquetes [mudas de palma] para fazer o plantio em suas propriedades”, frisou o coordenador da pesquisa.

Palma mais resistente
– Os estudos coordenados pelo pesquisador Fernando Gomes já indicam que, usando a variedade de palma correta para cada região do Estado e seguindo as orientações técnicas, é possível triplicar a produção sem aumentar a área plantada. “Outra conseqüência é que, ao invés de ter que esperar três anos, o agricultor vai poder fazer a primeira colheita da palma após dois anos”, argumentou.

Ele também lembrou que algumas variedades recomendadas aos agricultores familiares demonstram mais resistência a pragas, como a cochonilha de escama, e a uma doença chamada podridão mole.

Os estudos têm a parceria do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), o apoio do Banco do Nordeste (BNB) e foram iniciados também com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) também é parceira dos trabalhos.

  • Diego Barros

Palma serve como alimento nos tempos difíceis


Os municípios onde existem módulos experimentais de palma são: Mata Grande, Belo Monte, Jacaré dos Homens, Pão de Açúcar, São José da Tapera, Olho D’Água das Flores, Maravilha, Santana do Ipanema, Canapi, Inhapi, Delmiro Gouveia, Cacimbinhas, Poço das Trincheiras, Major Isidoro e Palmeira dos Índios.

Bacia Leiteira — “Na época da seca, a palma é o único alimento que o sertanejo encontra para dar aos animais. Por isso, é preciso utilizar técnicas para armazenamento — como a silagem — e para o plantio correto”, avisou Fernando Gomes.

Segundo os pesquisadores e os criadores, é a palma que garante à pecuária de leite o título de segunda atividade agropecuária mais importante do Estado, perdendo apenas para a cana-de-açúcar. De acordo com dados da Seagri, 73% dos produtores de leite do Estado fabricam até 100 litros do produto por dia, o que os classifica como pequenos produtores.

Na região da Bacia Leiteira, indicadores apontam que há cerca de 3 mil produtores de leite, gerando 25 mil empregos diretos. Um deles é José Jilvan Medeiros, da comunidade Paus Pretos, na zona rural de Monteirópolis. Ele disse que cultiva 14 tarefas de terra com a palma e que, sem ela, não teria como manter as cabeças de gado que cria junto com os filhos. “Sem a palma, não teria outra solução”, sentenciou.

Ainda de acordo com o pesquisador Fernando Gomes, 95% da palma cultivada em Alagoas é da variedade conhecida como miúda. “Uma parte dos nossos estudos será apresentada durante a Exposição Agropecuária da Bacia Leiteira, em Batalha, no período de 8 a 11 de setembro”, informou.
Diego Barros

 

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